Davide Ancelotti expõe bastidores da saída do Botafogo: “Não havia mais presidente”
Meses após deixar o comando do Glorioso, o treinador Davide Ancelotti abriu o jogo…
O ex-técnico do Botafogo, Davide Ancelotti, voltou a comentar publicamente sua passagem pelo clube e esclareceu os motivos que o levaram a pedir demissão no fim de 2025. Em entrevista concedida ao jornal francês L’Équipe, o italiano afirmou que decidiu deixar o comando da equipe por entender que o clube vivia um período de indefinição administrativa, marcado pela saída de John Textor e pela ausência de uma liderança clara na SAF.
Segundo Davide, a decisão partiu dele e não do Botafogo, contrariando interpretações que surgiram na época sobre uma possível demissão. O treinador afirmou que permaneceu no cargo enquanto acreditou haver condições de trabalho, mas optou por encerrar sua passagem ao perceber que o cenário interno havia mudado completamente.
Outro ponto destacado pelo treinador foi a decisão da diretoria de dispensar o preparador físico Luca Guerra, integrante de sua comissão técnica. Davide afirmou que condicionou sua permanência à manutenção de toda a equipe de trabalho, mas o clube não aceitou a proposta, o que contribuiu para sua saída.
Davide Ancelotti diz que pediu demissão após mudanças na estrutura do Botafogo
Na entrevista ao L’Équipe, Davide Ancelotti explicou que o ambiente administrativo do Botafogo mudou significativamente durante seus últimos meses no cargo.
Segundo o treinador, a saída de John Textor do comando da SAF criou um cenário de incerteza sobre quem tomaria as decisões relacionadas ao futebol, situação que influenciou diretamente sua escolha de deixar o clube.
“Cinco meses lá são como dois anos na Europa. As pessoas não entenderam se eu tinha sido demitido ou não. Mas, na verdade, depois de cinco meses, não havia mais presidente, porque John Textor estava de saída. Eu não tinha mais nenhuma indicação sobre o que aconteceria dali para frente, então decidi pedir demissão. Eles não me demitiram, porque nem havia um presidente para fazer isso”, afirmou.
Na época, o Glorioso atravessava um processo de mudanças em sua estrutura administrativa. A transição na gestão gerou indefinições em diferentes setores do clube, enquanto eram conduzidas negociações relacionadas ao futuro da SAF e à reorganização do departamento de futebol.

Demissão de integrante da comissão técnica também pesou na decisão
Outro fator citado por Davide Ancelotti foi a decisão da diretoria de promover mudanças em sua comissão técnica. Conforme revelou o treinador, o Botafogo informou que pretendia desligar o preparador físico Luca Guerra, profissional que fazia parte de sua equipe de confiança desde o início do trabalho.
Diante dessa situação, ele comunicou aos dirigentes que permaneceria apenas se toda a comissão técnica fosse mantida. O clube, no entanto, optou por seguir com a reformulação do departamento de futebol, e não houve acordo para atender ao pedido do treinador. A divergência representou mais um elemento que contribuiu para o encerramento do vínculo entre as partes.
No futebol profissional, é comum que treinadores trabalhem ao lado de profissionais escolhidos por eles, especialmente em áreas como preparação física, análise de desempenho e treinamento específico. Alterações nessa estrutura costumam fazer parte das negociações quando há mudanças de comando ou reestruturações internas.
Segundo o relato de Davide, a impossibilidade de manter sua equipe de trabalho influenciou diretamente sua decisão de encerrar a passagem pelo Botafogo.
Treinador afirma que enfrentou dificuldades durante passagem pelo clube
Além das questões administrativas, Davide Ancelotti comentou os desafios enfrentados ao longo dos meses em que comandou o Botafogo.
Na avaliação do treinador, a equipe conviveu com problemas como lesões e mudanças no elenco, fatores que impactaram o desenvolvimento do trabalho. Mesmo assim, o italiano destacou que considera positiva a experiência vivida no futebol brasileiro.
“A experiência foi boa porque, apesar de todas as dificuldades, das saídas e das lesões, tivemos bons resultados. Mas as expectativas eram grandes demais em relação a um cenário que havia mudado completamente.”
Em seguida, o técnico voltou a mencionar a relação construída com John Textor durante o período em que esteve no clube.
“John Textor confiou em mim, e eu sempre serei grato por isso. Mas, depois, houve muitos conflitos, e eu fiquei muito sozinho.”
Passagem pelo Botafogo marcou estreia como treinador principal
A passagem pelo Botafogo representou um momento importante na carreira de Davide Ancelotti. Após anos trabalhando como auxiliar técnico ao lado do pai, Carlo Ancelotti, em clubes como Real Madrid-ESP, Bayern de Munique-ALE, Napoli-ITA e Everton-ING, além da Seleção Brasileira, o italiano assumiu pela primeira vez o comando de uma equipe profissional.
Durante sua trajetória no clube carioca, Davide dirigiu o Glorioso em 32 partidas, acumulando 14 vitórias, 11 empates e sete derrotas.
Os resultados mantiveram a equipe competitiva nas principais competições disputadas naquele período, embora o contexto administrativo tenha dificultado a sequência do trabalho.
Depois de deixar o Botafogo, Davide assumiu o comando do Lille, da França, onde iniciou um novo projeto como treinador principal.

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